Mutirão de cirurgias eletivas causa confusão e reclamações em hospitais de Santa Catarina
16/08/2011
Lançado há exatas três semanas, o mutirão de 22,6 mil cirurgias eletivas que Santa Catarina promete realizar até o fim de 2012 ainda está longe de sair do papel na maior parte das regiões. Ao mesmo tempo em que reconhecem a importância da iniciativa, secretários de saúde e dirigentes de hospitais se veem obrigados a denunciar a falta de informações claras sobre o projeto.
Segundo eles, pelo menos dois problemas estão emperrando seu andamento: o baixo valor que o Estado quer pagar a cada procedimento feito e a quantidade de pacientes a serem beneficiados — lista que, até agora, ninguém tem conhecimento.
A origem das reclamações parte, principalmente, do fato de os municípios não terem sido consultados sobre os detalhes do programa durante a sua elaboração. Segundo o presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Santa Catarina (Cosems), Eloi Trevisan, os secretários estão se sentindo desorientados sobre o funcionamento efetivo do mutirão, já que a maioria ficou sabendo do projeto pelas propagandas de TV. Na mensagem que está no ar, a orientação é de que os pacientes procurem as secretarias de Saúde dos municípios.
— Isso gerou um desconforto muito grande para nós, secretários, que não sabíamos nem como isso iria funcionar. Era preciso um planejamento melhor, antecipado, antes de se lançar a campanha, mas tudo ocorreu ao contrário. A propaganda está bonita, mas, infelizmente, na prática, ainda há pouca coisa organizada — lamenta.
O secretário de Saúde de Bombinhas, o cirurgião ortopédico Celso Dellagiustina, lembra que o mutirão deveria ter sido apresentado no que chamam de Comissão Intergestores Bipartite (CIB) — uma equipe de secretários de saúde e técnicos do Estado que discutem, todos os meses, as questões de saúde referentes a ambas as esferas. O mutirão, porém, ficou de fora. Na última reunião da equipe, há um mês, chegou a comentar que o Estado o estava preparando e que ele seria apresentado em momento oportuno. Isso foi numa sexta-feira. Na segunda, o Estado lançou a campanha.
Fonte: Central de Jornalismo Stylo FM
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