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Iprev admite surto de aposentadorias na Assembleia de Santa Catarina em 2003

03/11/2011

O que aconteceu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina em 2003 para que 21 de seus servidores saíssem de lá inválidos? A resposta é uma improvável epidemia, se forem levados em conta os resultados das perícias médicas da Junta Estadual feitas a pedido do Instituto de Previdência de Santa Catarina (Iprev). Na edição de domingo, o Diário Catarinense revelou que nenhum dos inválidos de 2003 está na lista dos 112 que vão enfrentar processos administrativos no Iprev por indícios de irregularidade na concessão dos benefícios. Tratamento oposto recebeu o primeiro surto, registrado em 1982. Os 75 aposentados daquele ano engrossam a lista dos inválidos sujeitos a perderem as aposentadorias por fraude. — Eu não vou discordar das perícias médicas. Se alguém tiver alguma contraprova ou uma denúncia, a gente pode fazer alguma coisa. Mas se eu começar a duvidar de alguns resultados da perícia, teria que invalidar todo esse trabalho que foi feito — diz o presidente do Iprev, Adriano Zanotto (PMDB). O único inválido de 2003 que responde a processo no Iprev é o ex-deputado Pedro Bittencourt (ex-DEM). Ele passou bem pelos exames dos peritos de Santa Catarina, mas é investigado por causa das denúncias do Diário Catarinense e da RBS TV de manter atividades remuneradas após ter sido aposentado por invalidez do cargo de advogado da Assembleia. Segundo Zanotto o processo está em fase final — ele foi iniciado antes da divulgação do relatório que constatou 112 casos com irregularidades entre os 210 aposentados por invalidez da Assembleia. Bittencourt é conselheiro das empresas estatais Casan e Celesc desde o segundo mandato de governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB), iniciado em 2007. Este ano, o governador Raimundo Colombo (PSD) elevou o ex-deputado a presidente do conselho da estatal de energia. Ou seja, o mesmo Estado que considerou incapaz de trabalhar no legislativo, emprega em estatais. O ex-deputado, aposentado por problemas no coração, alega que não se trata de uma função diária, o que retiraria o caráter empregatício. É justamente a possibilidade de acumular aposentadoria e as funções nos conselhos que o Iprev investiga. Mas o próprio Zanotto dá a entender que não é o Iprev que vai colocar a mão nessa polêmica.

Fonte: Central de Jornalismo Stylo FM

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