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Do ínicio ao auge da fama, do Brasil ao exterior. Agora você vai saber tudo sobre a vida e carreira de ídolos da música e artistas famosos.

Daniela Mercury

14/08/2007

 Daniela Mercuri

Daniela Mercuri de Almeida nasceu em Salvador, no estado da Bahia, no dia 28 de julho de 1965 e desde os oito anos de idade estabeleceu um vínculo com a arte, quando começou a freqüentar as aulas de dança, ministradas por Ângela Dantas ("Tia Ângela"), na escola Ana Nery.

Sua vida sempre foi influenciada pela cultura de sua cidade. Com 16 anos iniciou sua carreira de cantora, começando a cantar nos bares de Salvador, e com 18 anos iniciou o curso de licenciatura na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia.

Filha de Liliana Mercuri, assistente social, descendente de italianos e de Antônio Fernando de Abreu Ferreira de Almeida, português que se radicou no Brasil a partir dos 11 anos de idade e que se tornou mecânico industrial, Daniela passou a infância numa casa com jardim e quintal numa rua tranqüila do bairro de Brotas, com seus quatro irmãos: Tom, Cristiana, Vânia e Marcos. A vida de classe média foi levada entre o gosto pelas brincadeiras e pela arte e a responsabilidade nos estudos.

Artista, cidadã e mãe de Gabriel e Giovanna, Daniela tem a inquietação como uma de suas principais características, que influenciou e influencia todo seu trabalho, em que é notório o elemento antropofágico.

Daniela é uma cantora que, além dos cuidados com a voz, supervisiona arranjos, pesquisa timbres e valoriza o conceito de cada trabalho. O samba-reggae foi uma escolha e reflete a influência que a cidade do Salvador e sua cultura exercem na vida e carreira de Daniela Mercury. Porém, não há limites para a artista que não se inibe ao mesclar samba-reggae com música eletrônica.

Cidadã pós-moderna, ciente e comprometida com seu papel social, Daniela é embaixadora do UNICEF e da Fundação Ayrton Senna, além de representar diversas organizações sociais, sem fins lucrativos.

Com doze CDs gravados e quatro DVDs, Daniela Mercury é hoje a cantora brasileira com maior respaldo internacional, com 20 anos de carreira e 11 anos de turnês fora do Brasil.

Daniela não economiza nas formas de se comunicar, faz isso através do canto, dos seus discursos sempre pertinentes, da dança, de sua energia inigualável que a mantém em cima de um trio elétrico por quatro dias consecutivos, sete horas diárias e ininterruptas, durante o carnaval de Salvador, que entrou para o Guiness Book como a maior festa de participação popular do mundo.

E assim, ela continua perseguindo seu sonho de ver o mundo sambar.

Independência Artística

A necessidade de expressar suas idéias, opiniões, sentimentos e musicalidade fizeram com que Daniela se revelasse como compositora. Sozinha ou em parceria, a artista é autora de canções em todos os seus discos, sendo que algumas destas faixas tornaram-se grandes sucessos. Daniela também é responsável pelos arranjos da grande maioria das músicas presentes em seus discos e shows, elaborando-os sozinha ou em processo de criação coletiva ao lado dos músicos de sua banda e/ou produtores de seus álbuns. Essa participação nos arranjos faz com que ela defenda cada obra com a alegria de uma cantora coerente com a sua identidade artística.

Daniela também assina a direção artística dos shows onde aproveita para colocar em prática um estilo original, que mistura sua formação em balé e dança moderna com a sua vivência nas danças de rua, de expressão afro, típicas de Salvador.

E preocupada com a integridade de sua arte, investiu na autonomia e independência de sua carreira, condição fundamental para a sua liberdade artística. Para concretizar sua independência, fundou a produtora "O Canto da Cidade" e neste mesmo empenho de autonomia foram criados: um estúdio próprio e a Páginas do Mar - uma editora de música montada por Daniela para lhe garantir o controle sobre sua obra e, assim evitar o mau uso ou a vulgarização de suas músicas. Com isso, Daniela Mercury decide os rumos de sua carreira e se sente livre para assumir opções ousadas ou comercialmente arriscadas.

Carnaval

O Carnaval da Bahia se caracteriza por ser uma festa da coletividade. Ela foi evoluindo da separação entre classes sociais - carnaval de rua e de clubes - para o momento de celebração de uma espécie de utopia de igualdade. É no carnaval que uma certa idéia de paraíso - tão cara ao primeiro momento da descoberta do Brasil, pelos portugueses - se torna concreta, a partir da construção social. É então que um povo que carrega um sangue misturado das três raças fundadoras da sua identidade mostra a melhor síntese possível dessa mistura. Porque nessa festa, todos os tons de pele e todas as proporções de mistura querem significar a grandeza desse encontro múltiplo.

O carnaval da Bahia, com dois milhões de pessoas que participam de uma programação de música e dança de praticamente uma semana, com uma duração diária de mais de 16 horas, é a expressão de uma cultura popular que adquire no tempo características de fenômeno mercadológico de grandeza inequívoca para a economia de Salvador e do estado da Bahia.

Em 1950, Dodô e Osmar criaram a "fobica" - um carro aberto, adaptado para a apresentação dos músicos. Está inventado o trio elétrico que será um marco na multiplicação do potencial de participação do público no carnaval.

Aos poucos, o som do trio elétrico vai se tornando a atração principal do carnaval da Bahia. Em 1969, a gravação de Caetano Veloso, da música de sua autoria, Atrás do Trio Elétrico, consagra definitivamente a antiga fobica (a essa altura transformada em caminhões que serviam de palco para grupos musicais maiores) como a marca mais forte do carnaval baiano.

Paralelamente, o carnaval dos blocos vai evoluindo em várias propostas estéticas e musicais diferenciadas, onde os afoxés mantinham suas raízes africanas com a puxada do ijexá, os blocos de classe média - que começam a crescer e se multiplicar - utilizam músicas de carnaval - a maioria do carnaval carioca-brasileiro, até que surgem os blocos-afro - numa evolução da proposta estética dos blocos de índio. Eles introduzem no carnaval algumas inovações fundamentais: desfile com temas e músicas compostas especialmente para a ocasião. Nesse período, o carnaval de rua começa a adquirir mais glamour e o elitismo do carnaval de clubes inicia certa retração.

Em pouco tempo, a organização cada vez melhor do desfile associada ao surgimento de novos cantores baianos, trazendo para o sucesso nas rádios e TV ritmos originalmente baianos, com o sucesso de Luiz Caldas, Sara Jane e do Chiclete com Banana, somando-se ainda à evolução do Ilê-Ayê e o surgimento do Olodum com presença contagiante na festa, vão transformar o carnaval de Salvador, em pouco tempo, no maior, mais longo, e mais itinerante show ao ar livre do mundo. A classe média e até as elites finalmente entregam os pontos: no final dos anos 80, os bailes de carnaval entram num processo de irreversível decadência e o carnaval de rua passa a ser a identidade coletiva do carnaval da Bahia.

No início dos anos noventa, o carnaval da Bahia já se consolidou como uma fábrica de talentos e artistas como os precursores Luis Caldas, a banda Chiclete com Banana, o Ilê-Ayê, Margareth Menezes e finalmente o Olodum levam o sucesso do carnaval para o mercado do disco e começam lentamente a abrir brechas no mercado nordestino e depois nacional da música.

Mas é no período 92/93 que o carnaval da Bahia vai se tornar responsável pelo maior sucesso no mercado da música brasileira: Daniela Mercury alcança o primeiro lugar nas rádios de todo o Brasil com o samba-reggae O Canto da Cidade, o seu show bate recordes de público do Oiapoque ao Chuí e a artista torna-se a primeira da nova música baiana a ter um especial sobre a sua música e carreira exibido numa emissora nacional, a Rede Globo. O sucesso espetacular de Daniela rompe de maneira radical com os preconceitos e barreiras que os grandes centros haviam imposto à música baiana de origem ligada ao nosso carnaval.

E é o seu grande sucesso no Brasil que vai transformar Daniela na principal artista do carnaval baiano. Tendo alcançado o estrelato depois de muito tempo conquistando espaço na Bahia, já tendo participado de vários carnavais.

Hoje Daniela é a atração do bloco Crocodilo, estrelando absoluta no circuito Barra-Ondina, criado como alternativa para ampliar a área do carnaval que já se encontrava superlotado no centro da cidade. Desde que Daniela passou a desfilar, em 1996, na Avenida à beira mar e criou o seu camarote na avenida do desfile, esse circuito passou a ser oficial no carnaval da Bahia e hoje atrai centenas de milhares de foliões, da mesma forma que o circuito antigo da Avenida Sete.

Carreira Internacional

O consagrado trabalho com o Canto da Cidade teve forte repercussão em outros países da América Latina. Daniela Mercury alcançou o primeiro lugar nas rádios e começou a se tornar um fenômeno de vendagem de discos. Até hoje, é considerada a artista brasileira que mais vendeu discos na Argentina e que atraiu o maior público para um show no Uruguai - mais de 280 mil pessoas numa apresentação ao ar livre.

Ainda com O Canto da Cidade a cantora se apresentou no Festival de Acapulco, no México, no Festival de Montreux , Na França e em Nova Iorque, nos EUA. Ela prossegue a sua vocação para uma carreira internacional com o disco e show Música de Rua que a leva a novas turnês pela América Latina, Estados Unidos e vários países da Europa.

Decidida a ampliar ainda mais as fronteiras de sua música, a artista fez sua segunda turnê internacional com o show Feijão com Arroz, aumentando o número de países e multiplicando o público conquistado em relação às turnês anteriores. Mais uma vez um grande sucesso: bateu o recorde de público do Festival de Artes Latinas do Lincoln Center, em Nova Iorque, tendo lotação esgotada também nos shows em Miami e Boston. Pela primeira vez, a cantora incluiu a Espanha e Portugal em sua turnê européia - além dos países que já a conhecia como Alemanha, Suíça, Bélgica e Itália. A imprensa desses países registrou sua passagem com críticas estimulantes.

O mercado francês era um desafio e a artista decidiu realizar um show em Paris, para mostrar o seu trabalho ao público e à imprensa francesa. O show lotou o teatro La Cigale e repercutiu na imprensa, despertando o interesse da televisão francesa. Entre a apresentação em julho de 97 e a Copa do Mundo na França em junho de 98, a Daniela Mercury se tornaria o maior sucesso brasileiro naquele país.

O álbum, Feijão com Arroz tornou-se um fenômeno sem precedentes em Portugal: Daniela Mercury despontou como a artista que mais vendeu discos (entre portugueses, estrangeiros e brasileiros) na história daquele país.

No ano 2000, a turnê com o show Sol da Liberdade consolidou o sucesso de sua carreira no exterior. Nos Estados Unidos, a crítica destaca o trabalho com elogios cada vez mais contundentes e com uma compreensão cada vez mais clara da importância dessa nova sonoridade da música brasileira. Numa turnê de dois meses, com 24 shows somente na Europa, o sucesso dessa brasileira encanta a Turquia, além dos países onde já se apresentara. Na Espanha, já conhecida do público, através de shows e discos, ela é agraciada com o prêmio Ondas de Artista Latino Americano, concedido pelos meios de comunicação espanhóis.

Em 2005, Daniela Mercury comemorou uma década de turnê com a maior viagem internacional de sua carreira, levando a música brasileira e a energia contagiante de seu show a 20 cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá, totalizando 30 shows. No primeiro semestre, a cantora também esteve presente no Carnaval da Espanha, quando, ao lado de Carlinhos Brown, arrastou 400 mil pessoas na cidade de Barcelona e 250 mil pessoas em Bilbao.

Outro destaque da turnê foi o show em Paris, no dia 13 de julho, véspera das festividades da Tomada da Bastilha, dentro da programação do Ano do Brasil na França. O espetáculo Viva Brasil, com as participações dos cantores Gilberto Gil, Gal Costa, Jorge Benjor, Seu Jorge, Lenine e o grupo Ilê Ayiê, foi encerrado por Daniela Mercury que fez a praça da Bastilha tremer.

Das turnês internacionais, Daniela trouxe para o Brasil dezenas de críticas favoráveis pela sua atuação artísticas nessas cidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cantora foi elogiada pelos maiores jornais do país, que ressaltaram a força de sua música e energia contagiante dos shows, comparado-a a Carmem Miranda, e transformando Daniela Mercury num novo ícone brasileiro.

Carreira/Discos

Hoje, Daniela possui mais de 10 milhões de discos vendidos em todo o mundo. É também a única artista brasileira convidada para a gravação do DVD de aniversário de 20 anos do Cirque de Soleil e parte da comemoração dos 25 anos do Festival de Jazz de Montreal. A cantora também foi convidada especial do último DVD do espanhol Alejandro Sanz, com quem fez um duo em plena Praça Del Toros, em Madri, Espanha. Já cantou com os grandes nomes da música brasileira como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, além do ex-beatle Paul McCartney (em Oslo, na Noruega, durante a entrega do Prêmio Nobel da Paz) e o legendário Ray Charles. A vitalidade artística da obra de Daniela Mercury pode ser comprovada pelo fato de todos os álbuns da cantora ter apresentado hits nacionais e por ter tido suas canções compondo trilhas de novelas brasileiras anualmente.


 


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